quinta-feira, 30 de abril de 2015

Mudança de endereço

O endereço do blog mudou, agora estou no medium: https://medium.com/@liliansoarespereiracarvalho

domingo, 18 de janeiro de 2015

Síndrome do macho jovem - "Young Male Syndrome"




Mais um post polêmico no blog. Voltei para a terra onde canta o sabiá, e a principal preocupação de todos é o nível de violência nas nossas cidades. A psicologia evolucionista tem uma explicação muito diferente dos usuais culpados: pobreza, desigualdade social e educação ruim. Fiquei pensando nisso nas últimas semanas e resolvi compartilhar as ideias dos brilhantes Mantin Daly e Margo Wilson, no artigo Competitiveness, risk taking, and violence: the young male syndrome.

Resolvi traduzir o termo como Sindrome do Macho Jovem. Antes, alguns exemplos da nossa música (e da internet), do que significa essa síndrome:

  • "Não tem Ibope, não tem rolê sem dinheiro. Sendo assim, sem chance, sem mulher,você sabe muito bem o que ela quer..." Racionais Mc's
  • "Para conquistar uma mulher sem ter na mão os dois facilitadores básicos você vai ter que se destacar no papo. A dica é: antes de sair com a mulher, “estude” bastante as preferências dela, para ter assuntos que rendam durante a noite toda. Na hora da conquista o silêncio pode ser muito constrangedor… e você, com certeza, não quer se passar como o bobo que não conversa e que, ainda por cima, não tem dinheiro nem carro." Desse link.
Pois bem, a síndrome do macho jovem diz o seguinte: a reprodução é um jogo assimétrico. Ou seja, o macho investe sêmen, mas a mulher investe 9 meses de muito esforço corporal e mais uns 18 anos de cuidados com os filhos (vamos combinar que por mais que o pai invista na prole, o investimento mais pesado - os especialistas chamam isso de investimento assimétrico - é da mulher).
Nesse caso, o sexo que mais investe na reprodução é o mais seletivo. Portanto, os homens, os machos da espécie, acabam por competir por acesso às fêmeas. Um adendo necessário às feminazis de plantão: novamente, eu não estou dizendo que o mundo DEVE ser assim, e que nós, mulheres, somos joguetes no mundo dos homens. O que eu ESTOU dizendo é que há pressões biológicas que moldam o nosso comportamento. 



Mas o que fazer se eu sou um moleque de 17 - 20 anos, desempregado, sem estudo e sem dinheiro? Todos concordamos que esses são os mais prejudicados no jogo da reprodução. Como dizem Wilson and Daly, eles têm maiores chances de fracasso, de não deixar nenhum descendente. Claro que nenhum desses homens está conscientemente pensando em cometer crimes para ter mais filhos. Na verdade, o impulso é pela busca de status (explicação próxima), que leva a maior acesso às mulheres (e mais sexo, que leva a prole - explicação última).


É aí que os autores dão o pulo do gato: ao analisar os homicídios (nome do mais famoso livro desses autores) da cidade de Detroit, qual vocês acham que são o sexo e a idade mais afetada (tanto por vítima como pelo criminoso)? Vejam o gráfico:

Qual a idade mais afetada pelos homicídios? 20-24, 25 -29 e, em absurda maioria, homens solteiros. Quando se analisam os motivos que levaram aos homicídios, os criminalistas julgam que foram "motivos fúteis": brigas de bar que começaram como um desafio à honra. Um dos casos que os autores citam envolve uma disputa sobre um troco de DEZ CENTAVOS. 

Não estou ciente de nenhum pesquisador brasileiro que tenha levado em consideração essa abordagem do crime. Talvez se levássemos em consideração essas forças biológicas, poderíamos traçar estratégias mais eficazes para o grupo mais afetado pela criminalidade.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O que faz um bom vendedor?

Essa semana li o artigo Falk, E. B., Morelli, S. A., Welborn, B. L., Dambacher, K., & Lieberman, M. D. (2013). Creating Buzz The Neural Correlates of Effective Message Propagation.Psychological science, 0956797612474670, e ele me chamou muito a atenção, por dois motivos:

  1. Analisa de forma consistente o que faz uma ideia se propagar de forma eficaz e
  2. Apóia-se tanto em dados de fMRI (ressonância magnética) como dados de questionário (self-report).
Os autores fizeram o seguinte: recrutaram "estagiários" e "produtores", todos alunos de graduação. A ideia era que os estagiários selecionassem  as melhores ideias para a criação de um novo seriado, de uma gama de 24 opções.

Os produtores veriam vídeos, não dos seriados, mas dos estagiários tentando vender a ideia do seriado, e decidiriam produzir aquela ideia que mais lhes parecesse adequada. Isso me lembrou o Seinfeld, no seriado de mesmo nome, tentando vender a ideia de um seriado sobre nada (isso vai fazer sentido daqui a pouco).


Os autores descobriram que existem dois componentes diferentes ao se analisar que ideias estão destinadas a se propagar:

  •  O efeito buzz: ou seja, as ideias que são tão boas que se propagam independente dos vendedores. Nesse caso, as áreas que se ativam nos estagiários estão relacionadas às recompensas (ou seja, são ideias que trazem prazer) e áreas de mentalização (o que eu penso que outra pessoa irá fazer com aquela informação. Ver Teoria da Mente).
  • O efeito do vendedor: esse foi o principal achado deste estudo, na minha opinião. Os estagiários que foram mais bem sucedidos na persuasão dos produtores foram aqueles que tiveram maiores ativação nas áreas relacionadas à mentalização. Ou seja, aqueles que levaram em consideração (mesmo que inconscientemente) quais ideias iriam convencer os produtores, o que iria apelar e como essa mensagem seria melhor colocada. 
Vejam que essas ativações nos cérebros dos estagiários preveem o comportamento dos produtores, pois as medições foram feitas antes de que qualquer decisão sobre as ideias fosse tomada. Ou seja, para contratar um bom vendedor, coloque-o em uma máquina de ressonância magnética e veja se as áreas relacionadas à mentalização são ativadas. Se forem, você contratará um bom funcionário! 

E isso me leva de volta ao Seinfeld: uma série sobre nada, é uma ideia estapafúrdia, mas na mente de um vendedor poderoso (como o George) estava destinada ao sucesso!

sábado, 1 de novembro de 2014

Big Data

Um dos temas mais "quentes" nas rodas de profissionais de marketing é o tal do Big Data: grandes bancos de dados colhidos pelas empresas, principalmente redes sociais e varejistas da internet, que nos permitiriam analisar como o consumidor se comporta com ricos detalhes. O que ele clica, em que momento do dia, o que ele assiste no youtube e netflix, como se identifica ou não, etc.

Cética que sou, sempre fico muito desconfiada com essas novas ondas. Me parecia uma moda cujo único objetivo seria vender consultoria e "vomitar" dados para os gerentes. 

Mas meu amigo Yves Dupuis me indicou o livro Dataclysm, escrito por um dos fundadores do OkCupid. Esse livro me abriu os olhos para as enormes possibilidades do Big Data. 

O OkCupid é um site de encontros, com a mesma proposta mas mais antigo que o Tinder. Como eu não faço parte do segmento que está procurando um parceiro/namorado, não conheço muito o mercado brasileiro de sites de encontros. Em uma busca rápida, os sites citados com a mesma proposta que o OkCupid são o Par Perfeito, Divino Amor (voltado para evangélicos) e o Match.com. 

Enfim, o livro debulha o banco de dados do OkCupid, comparando-o às vezes com dados do Match.com (o maior e mais abrangente site de encontros dos EUA). As conclusões e ilustrações do livro são fascinantes. É possível analisar com detalhes como as pessoas se comportam na vida real, e não como elas dizem que se comportariam em um ambiente de laboratório. 

Um problema que sempre me interessou nesse mercado de namoros, foi o fato de que os homens podem achar um parceiro em qualquer idade, mas para as mulheres existe algum tipo de barreira: quanto mais velha ela fica, mais difícil de achar um parceiro. Essa era minha experiência pessoal, não porque eu a tenha vivido, mas sim porque via isso acontecer no meu grupo social. Mas eu não tinha nenhum dado empírico que confirmasse essa hipótese. Graças à indicação de livro do meu amigo, eu agora posso afirmar com todas as letras que essa é a tendência da nossa espécie.

Vejam só, o autor mostra que é mais difícil, no OkCupid, uma mulher contactar um homem. É a mesma situação em uma balada: a gente se arruma, se maquia, põe uma saia curtinha e uma blusa com lantejoulas e vai pra festa. Mas não saímos dando em cima de todo o cara que encontramos: simplesmente vamos dançar, damos umas olhadinhas, umas piscadelas, e esperamos pelo melhor - que os caras venham até nós. É assim também no site de relacionamento: as mulheres colocam seus perfis com uma foto em que apareçam bonitas e esperam pelo melhor. 

O que o autor mostra é o número de mensagens que uma mulher recebe em função da sua idade vs. a idade do homem. 

Vejam que existe algum tipo de "penalidade" para a mulher conforme ela vai envelhecendo: os homens mais novos não estão interessados em contacta-lá, e os homens mais velhos ainda podem namorar (e assim preferem) mulheres bem mais novas. Não estou dizendo (e os dados do gráfico não confirmam) que um homem de 50 vá contactar uma mulher de 20. Não, ele vai contactar mulheres de 38 até 50, com uma preferência para as mais novas. Veja que desanimadoras são as expectativas de uma mulher de 50 anos que queira achar um parceiro pelo OkCupid:
Compare com o gráfico acima: uma mulher de 20 anos recebe quase 100 mensagens, enquanto o gráfico da mulher de 50 não chega nem perto de 20. 

Esses dados trazem conclusões fantásticas para quem estuda comportamento do consumidor e principalmente, psicologia evolucionista. Vamos lá:

  • Se você é mulher e quer um parceiro, corra: ou seja, quanto mais cedo melhor. Isso não quer dizer que você não vai achar um parceiro aos 50 anos. Só que suas chances são melhores quando você é mais nova. (E pelo amor de Deus não me mandem mensagens falando de preconceito. Eu não estou dizendo que mulheres mais velhas são undatable, ou que nunca acharão um parceiro. Simplesmente estou mostrando as preferências reais dos homens. Estou analisando como o mundo é, e isso não tem relação nenhuma com o que o mundo deve ser, nem com a minha opinião pessoal);
  • Da perspectiva da psicologia evolucionista, esses dados fazem todo o sentido: os homens não perdem capacidade reprodutiva ao longo do tempo (perdem a eficiência sim, mas ainda podem se reproduzir). Como o sexo foi feito para a reprodução, e o objetivo evolutivo de encontrar um parceiro é esse mesmo, a evolução não deixou em nós nenhum instinto que beneficiasse homens que tenham alguma preferência por mulheres mais velhas. Esses homens não deixaram descendentes. Nós somos herdeiros de uma linhagem na qual os homens têm preferências por mulheres mais novas (que possam gerar prole);
  • Há muitas teorias por aí especulando porque as mulheres entram na menopausa (deixam de ser capazes de reproduzir). Talvez seja esse  o componente que faltava: já que os homens não estão interessados, a mulher perde a capacidade produtiva, perde a libido (não completamente) e pode se dedicar com afinco a prole de seus filhos (hipótese da avó). 
Recomendo fortemente a leitura do livro, principalmente se você gosta de estatística ou quer aprender mais sobre o assunto. Deixe nos comentários sua opinião sobre o Big Data e suas perspectivas!



domingo, 19 de outubro de 2014

Razão Cintura/Quadril - Universal Humano!

Ontem estava trabalhando em uma palestra para meu professor Delane Botelho e postei na minha página do facebook que tive que procurar fotos de acompanhantes de luxo na internet! Calma... Antes que vocês pensem que eu pirei, vou explicar a razão disso.

Em 1991, um antropólogo chamado Donald Brown fez uma compilação de traços que seriam universais a todas as culturas do mundo. Quem acompanha esse blog sabe onde quero chegar: não dá pra explicar como culturas separadas por milhares de quilômetros e/ou milhares de anos de diferença entre elas, podem compartilhar traços universais a não ser que consideremos que todos os humanos possuem uma história evolutiva em comum e, durante essa história, esses traços foram adquiridos. 

Pois bem, um desses traços universais é a razão cintura/quadril (waist-to-hip ratio). Pense comigo: qual é o tipo de mulher considerada bela? As culturas podem variar muito nas preferências de cabelo/penteado, vestimenta, cor dos olhos e até no peso (mais magra ou mais gordinha). Mas uma coisa se mantém constante: a circunferência da cintura deve ser menor que a circunferência do quadril. O número mágico, sob o qual todas as culturas giram, é de que a razão entre cintura e quadril deve ser em torno de 0,7. Por isso procurava imagens de acompanhantes de luxo: para mostrar que a preferência humana é universal, transcende culturas. Meu orientador canadense tem um artigo sobre o tema: Saad, G. (2008). Advertised waist-to-hip ratios of online female escorts: An evolutionary perspective. International Journal of e-Collaboration (IJeC), 4(3), 40-50.

Meus amigos relativistas vão dizer o seguinte: - Não, Lilian, a cultura de hoje é que dita figuras magras, a mídia faz uma lavagem cerebral nas pessoas para gostarem dessas imagens. 

Vamos ver então a evidência acumulada sobre o assunto:

1. O primeiro estudo foi feito por Singh D (August 1993). "Adaptive significance of female physical attractiveness: role of waist-to-hip ratio". J Pers Soc Psychol 65 (2): 293–307. doi:10.1037/0022-3514.65.2.293. Ele mediu a atratividade das mulheres na visão de homens e chegou a conclusão de que quando a razão se aproxima de 0,7, mais atraente é a mulher.



2. Ok, concordo que o primeiro estudo ainda pode sofrer críticas dos relativistas que gritarão: "É a cultura, idiota!". Vamos a prova #2. No estudo Singh, D., Frohlich, C., & Haywood, M. (1999). Waist-to-hip ratio representation in ancient sculptures from four cultures. In annual meetings of the Human Behavior and Evolution Society, University of Utah, Salt Lake City, June (pp. 2-6), os autores calcularam a razão cintura-quadril de várias esculturas de fertilidade (ou vênus) de várias culturas antigas. Vejam pela imagem que há esculturas mais "gordinhas". Isso não importa. O que importa é que a razão cintura-quadril que os autores encontraram gira em torno de 0,7. Fica difícil explicar como culturas separadas por milhares de anos podem ter preferências tão parecidas, se não levarmos a biologia humana em consideração.




3. E por último, a prova cabal em relação às preferências inatas dos humanos. No estudo: Karremans, J. C., Frankenhuis, W. E., & Arons, S. (2010). Blind men prefer a low waist-to-hip ratio. Evolution and Human Behavior31(3), 182-186, os autores levaram homens que sofrem de cegueira congênita, ou seja, nunca enxergaram desde o nascimento, para o laboratório avaliar a atratividade de manequins, cuja única manipulação era a razão cintura-quadril. Mesmo assim, os homens ainda preferem mulheres com cinturas mais finas que os quadris. Como explicar isso pelo aprendizado, ou pela cultura? Eles nunca viram uma modelo e uma revista de moda na vida!


É por isso que eu sou apaixonada pela psicologia evolucionista: quantas formas diferentes de pesquisar o mesmo tema, e quantas provas cabais que sustentam a teoria. Esse campo de universais humanos ainda precisa de mais pesquisas e de pesquisadores que aceitem esse desafio enorme!

*Post inspirado numa aula que tive com meu professor Gad Saad!

domingo, 5 de outubro de 2014

Meu primeiro experimento - Oxitocina e Aleitamento

Eis que então chega o grande dia na vida de uma doutoranda: o dia de rodar seu primeiro experimento! Depois de uma proposta falida, uma aprovada e um pré-teste, chegou o grande dia de colocar meus conhecimentos à prova!

Pra quem não sabe, além de ralar e queimar os neurônios pensando em como montar o experimento, escolher escalas, decidir sobre os estímulos, a parte mais difícil de todas é conseguir respondentes! Mas bem no dia de coletar os dados, chove horrores aqui em Montreal! Tudo bem, o negócio, na vida e na pesquisa é persistir, e lá fui eu com dois computadores (um emprestado pelos amigos-anjos) pra rodar minha pesquisa em uma loja especializada em aleitamento, a Melons et Clementines. As donas da loja, Renee e Marie-Maude, foram muito legais comigo e estão dando todo o apoio para que eu consiga as respondentes. Sábado, dia de coletar os dados, houve um evento na loja: um desafio de aleitamento, para trazer conscientização da necessidade de amamentação exclusiva até os 6 meses de idade. Vejam as fotinhos do evento:



Como vocês sabem, meu interesse de pesquisa é a influência da oxitocina no comportamento do consumidor. Inspirada em um artigo que explica como a oxitocina influencia ratas , lá fui eu rodar um experimento que apresenta OITO cenários (vai gostar de desafio lá na China!) às mães durante a amamentação para verificar se há alguma influência da amamentação no comportamento. A teoria diz que sim, mas sem experimentos controlados não dá pra provar a relação entre as variáveis. 

Não posso explicar muitos detalhes do experimento, pois, sabecomoé, exclusividade é a alma do negócio. Mas posso dar umas dicas pra quem quer esse caminho e o que aprendi nessa primeira experiência:

1. Prepare tudo com antecedência: teste os links da pesquisa e tenha sempre um backup - eu levei dois computadores e no final só um funcionou;

2. Antecipe problemas: olha que bobagem, mas eu quase perdi respondentes por causa disso - eu não uso mouse, me atrapalha na hora de trabalhar com o notebook. Uma das respondentes não sabia mexer no touchpad, e eu tive que ajudá-la a terminar de clicar nas respostas do questionário;

3. Seja um "bom vendedor": isso eu aprendi com minha querida amiga e também pesquisadora Giuliana Isabella - não dá pra ficar na salinha esperando os respondentes virem até você - faça o recrutamento dos seus respondentes, chame-os, mas sem dar detalhes do experimento. Após terminarem você pode fazer o debriefing - dizer o objetivo do estudo e os estímulos que foram utilizados.

E depois dessa primeira fase de coleta, vou passar na loja uma vez por semana até conseguir atingir a minha cota. Também vou procurar reuniões de aleitamento de outros órgãos pra tornar a coleta mais ágil.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Só os humanos possuem empatia?

Estava acompanhando a página do FB do Olavo de Carvalho e estes dias ele tem lidado com os comentários negativos de ativistas de proteção animal, pois passou férias em uma pousada caçando ursos. A defesa que Olavo faz para descrever a caça como natural e humana é que os animais não são capazes de compaixão nem de empatia, pois isso seria uma emoção "superior", que só os seres humanos possuem. A empatia, de acordo com Zaki & Ochner (2012) e Blair et al. (2005) está apoiada no contágio emocional, na distinção entre o "eu" e o outro, na compaixão e no sentimento de aflição causado pelo sofrimento do outro. 

Vamos deixar claro aqui que não sou xiita defensora dos animais e que, apesar dos meus esforços para cortar a carne completamente da minha dieta, ainda a consumo 3x por semana. Leite, queijo e ovo praticamente todos os dias. Isso se deve, em parte, ao pouco controle que tenho sobre meu apetite e também ao fato de que durante toda a nossa história evolutiva (como espécie) nós sempre fomos onívoros, como também os são os chimpanzés. Também não quero demonizar o Olavo por caçar ursos, que pelo que entendi da história caçou em uma região na qual a caça é permitida quando a população de ursos atinge um certo limiar. Não posso criticar alguém que caça um animal que não está em perigo de extinção, se eu mesma como a carne de vacas, porcos e galinhas que são criadas em condições terríveis.

O que quero criticar na posição do Olavo é a falta de conhecimento sobre a biologia humana e a biologia dos outros organismos do planeta. A empatia não é um sentimento ou um comportamento que surgiu somente na nossa espécie. Ela tem bases em muitos mamíferos e, o que quero demonstrar agora, inclusive em ratos! 

Estou estudando com a professora Jennifer Bartz e ela nos mostrou estudos recentes sobre a descoberta da empatia em ratos. O vídeo abaixo é um exemplo de estudo que foi publicado na Science. Dois ratos, companheiros de "cela", são colocados em uma situação inusitada: um deles fica preso, e obviamente incomodado, dentro de uma gaiola de acrílico. O companheiro de cela fica livre e demonstra o que chamamos de empatia: fica também incomodado e aflito com a "prisão" do colega, mas não sabe bem como ajudá-lo. No quinto dia do experimento, ele finalmente aprende como "salvar" o colega. Depois disso todas as vezes que a situação é proposta, o ratinho "salva" o amigo mas não apresenta mais a aflição que caracteriza a empatia: agora ele já sabe como resolver o problema do colega sem demora. Veja o vídeo e coloque nos comentários se você se convence da empatia demonstrada pelo ratinho!